02/10/2026
06:03:25 AM
Assassinato volta a aumentar tensões em Manipur, na
Índia
O estado de Manipur, na Índia, está
passando por uma reforma política desde fevereiro de 2025, mas a situação no
país permanece frágil. Três
anos após a onda de violência etnorreligiosa, as comunidades continuam
divididas, tanto geograficamente quanto socialmente.
Manipur é considerado o estado mais cristão da Índia e
já foi conhecido como um estado onde seguidores de Jesus estavam seguros e a
perseguição era baixa. Mas
durante os conflitos entre etnias meitei e kuki, o
governo estadual pró-hindu priorizou a “unidade” e não protegeu nem socorreu os
cristãos alvos dos ataques. Recentemente, as tensões voltaram a escalar
após duas mortes.
Mayanglambam Rishikanta Singh, um homem da
tribo meitei, era casado com Chingnu Haokip, uma mulher da tribo
kuki, ambos na faixa dos 30 anos de idade. De acordo com a mídia local,
Singh estava trabalhando no Nepal como engenheiro. Ele
retornou a Manipur no dia 19 de dezembro de 2025 para passar o
Natal com sua esposa na cidade Churachandpur.
Haokip contou que o marido tinha
permissão do governo e da Organização Nacional Kuki para ficar alguns dias
na cidade, mas os kuki disseram que não sabiam sobre a situação. Há
informações de que um grupo militante kuki estaria por trás do
assassinato.
Na quarta-feira, dia 21 de janeiro, por volta das 18h30,
três homens mascarados e armados invadiram a casa onde o casal estava e os
raptaram. Enquanto estavam sendo levados em um
carro, Haokip implorou para que não os matassem. Ela foi jogada
do carro em movimento.
Singh foi levado para fora da cidade, onde foi morto a
tiros. Um vídeo circulou pela internet com a legenda “sem paz, sem governo
popular”, mostrando Singh com as mãos amarradas, implorando por sua vida antes
de levar dois tiros. Seu corpo foi levado a um hospital.
Tensões voltam a crescer entre as duas
etnias
O vídeo causou medo e ira entre os meitei. Os líderes
da tribo exigiram justiça e a prisão imediata dos criminosos, deixando
claro que se o governo não agisse, haveria retaliação. A declaração também
gerou medo e tensão entre os kuki.
Um comitê foi formado e o caso foi entregue à Agência
Nacional de Investigação. O assassinato reabriu feridas que estavam
começando a cicatrizar, em um tempo em que as tensões entre as
tribos diminuíam, apesar da divisão social ainda existir.
Neinu (pseudônimo), um parceiro local da Portas
Abertas, diz: “Já existia uma grande ira pela morte de uma
jovem kuki-zo por complicações de saúde e ferimentos causados
por um estupro coletivo. Agora, com a morte de Singh, as tensões voltaram a
escalar entre as duas comunidades. O conflito destruiu famílias inteiras.
Casais intercomunitários são os que mais sofrem, geralmente se vendo obrigados
a viverem separados ou deixarem o estado para
sobreviver. Kukis casados com meiteis enfrentam abusos
e rejeição dos extremistas”.
Com duas mortes, uma de cada comunidade, em um espaço de
duas semanas, o medo e a desconfiança voltaram a crescer. A dor da violência
continua a separar famílias e a paz em Manipur ainda parece
distante.
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favor dos cristãos perseguidos na Índia e em todos os países onde os seguidores
de Jesus enfrentam perseguição e violência.
Fonte: PORTAS ABERTAS
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