08/27/2025
06:03:57 AM
Entidades denunciam morte de preso político sob regime
ditatorial na Nicarágua
Tiago Chagas5 horas atrás
Organizações opositoras ao governo da Nicarágua denunciaram
nesta segunda-feira, 25 de agosto, a morte do opositor Mauricio Alonso
Petri, que, segundo elas, estava em poder da Polícia Nacional após ter sido
capturado em 18 de julho. Alonso teria sido sequestrado junto com sua esposa e
filho, de acordo com os relatos divulgados. A esposa foi libertada no mesmo
dia, mas ele e o filho permaneceram presos.
A União Democrática Renovadora (Unamos) divulgou
comunicado afirmando: “Com profunda indignação, denunciamos a morte de Mauricio
Alonso Petri enquanto ele se encontrava nas mãos da Polícia Nacional da
Nicarágua”. A entidade acrescentou que Alonso “estava desaparecido desde que
foi sequestrado em 18 de julho deste ano, e, até o momento, nem a polícia nem
qualquer autoridade do governo deram informações sobre seu paradeiro ou suas
condições”.
O texto da Unamos descreveu o episódio como um “trágico
evento” que ocorreu sem “nenhuma justificativa”, agravando a preocupação sobre
as condições de detenção no país. A organização expressou condolências à
família do opositor e fez um apelo à comunidade internacional para que adote
“medidas políticas, diplomáticas e financeiras firmes e eficazes” a fim de
pressionar o governo a encerrar
as violações de direitos humanos.
O Instituto La Segovia no Exílio Político também
responsabilizou o governo pela morte, declarando que o “sistema ditatorial de
Daniel Ortega e Rosario Murillo está entregando morto o opositor sequestrado e
preso político de nome Mauricio Alonso P.”. A organização afirmou que a família
de Alonso foi contatada pelo serviço médico legal para a entrega do corpo, sem
explicações oficiais.
A Unidade Nacional Azul e Branco, outra
organização opositora, denunciou nas redes sociais: “Mauricio estava
desaparecido desde seu sequestro, e as razões de sua morte são desconhecidas.
Denunciamos este novo crime da ditadura e exigimos prova de vida do filho de
Mauricio, também sequestrado pela ditadura, e de todos os sequestrados, assim
como a liberdade incondicional de todas as pessoas presas políticas”.
Nem o governo da Nicarágua nem a Polícia Nacional comentaram
as denúncias até o momento. Segundo o Mecanismo para o Reconhecimento
de Pessoas Presas Políticas, apoiado pela Comissão Interamericana de
Direitos Humanos (CIDH), até 15 de julho havia pelo menos 54 dissidentes e
críticos detidos, incluindo 18 idosos.
O episódio ocorre em meio à intensificação da repressão no
país. O ditador Daniel Ortega, em ato realizado em 19 de julho pelo
46º aniversário da Revolução Sandinista, declarou: “Assim que forem descobertos
serão capturados e processados”, em referência a opositores. A crise política e
social da Nicarágua se arrasta desde abril de 2018 e se aprofundou após as
eleições de novembro de 2021, quando Ortega, de 79 anos, foi reeleito para um
quinto mandato, o quarto consecutivo, estando no poder desde 2007.
Fonte: Gospel
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